Valores essenciais do coworking: Acessibilidade

Valores essenciais do coworking: Acessibilidade

Por Alex Hillman*

Este post é a parte 2 de uma série de 5 posts onde iremos explorar os cinco valores fundamentais do coworking: Colaboração, Transparência, Comunidade, Acessibilidade e  Sustentabilidade. Esses 5 valores encontram-se reunidos no Coworking Wiki, um dos repositórios da comunidade coworking mundial disponíveis no portal coworking.com, que tem por finalidade divulgar a cultura do coworking nos cinco cantos do planeta. Estes valores foram preconizados em meados de 2005 pelos criadores do CitizenSpace, primeiro coworking space fundado em São Francisco, Estados Unidos, e desde então servem de inspiração para dezenas de espaços de coworking em todo o mundo.

No primeiro post da série exploramos os valores da Sustentabilidade no contexto do coworking.  Além da questão sustentável em um ambiente de coworking, que diz respeito à autossuficiência de um espaço de escritório compartilhado, entre outros fatores, o segundo valor crucial do coworking é fundado na Acessibilidade.

Nos escolhemos na entrada…

Um dos elementos únicos do coworking é que qualquer pessoa que possa trabalhar de um lugar qualquer pode fazer parte de uma comunidade coworking. Não é necessário nem mesmo um espaço de coworking para isso: podemos dividir espaço com outros co-workers em uma sala de estar, em um parque, jardim ou até mesmo estando no escritório de um amigo. O elemento chave aqui, na verdade, é a auto-seleção.

Se refletirmos sobre isso, perceberemos que é algo bastante notável. Um espaço de coworking é um dos únicos lugares no mundo onde cada pessoa presente no ambiente está lá porque assim escolheu. Um ambiente composto por pessoas que escolheram estar ali – quando poderiam estar em qualquer outro lugar, como trabalhando de casa, por exemplo – acaba se tornando um lugar extremamente positivo e produtivo para o trabalho, como podemos descobrir facilmente ao conversar com alguém que possui um cowoker. Muitas pessoas que citam níveis de produtividade incomuns de se trabalhar em um espaço de coworking estão realmente sentindo os benefícios de a) escolher para si onde trabalhar, e b) estar rodeada por outros que escolherem onde desejariam trabalhar.

A chave para que essa interação seja possível, no entanto, é que o espaço de coworking permite a membros e participantes se auto-selecionarem.

Nos últimos quatro anos, muitas pessoas me surpreenderam. Talvez seus níveis de experiência parecessem menor que a média. Talvez suas competências sociais precisassem ser melhoradas. Talvez fossem mais tímidas. Ou mais rudes. Talvez mais agitadas. Talvez fossem tudo isso. Com o tempo, a maioria desses atributos desapareceu. Elas começaram a ser elas mesmas, em vez da pessoa que achavam que tinham de ser. E, no melhor dos casos, elas se aprimoraram ao longo do tempo. Quando nos encontramos na posição de alguém que assiste o progresso das competências pessoais e profissionais das pessoas ao longo de alguns anos, ficamos surpresos com o quanto essas pessoas podem crescer. Se as deixarmos crescer. Algo totalmente acessível e sustentado pela natureza intrínseca de qualquer coworking space.

O coworking funciona como uma espécie de “cadinho” (vaso para fundição de metais), e possibilita que todos os extremos se encaixem por conta própria. Quando as pessoas têm de lidar com outras pessoas diretamente – ao invés de possuírem gestores, mediadores ou recursos humanos que resolvam seus problemas para elas – na maior parte das vezes as coisas, com o passar do tempo, se acertam sozinhas.

…e na saída

Nos primeiros dias de Indy Hall, eu e meu sócio Geoff estávamos sempre animados por encontrar alguém que quisesse estar por perto. Não porque estivéssemos desesperados para preencher nosso espaço, mas porque estávamos realmente animados em encontrar mais e mais pessoas de diferentes expertises, uma experiência muito enriquecedora para nós.

Então, um dia, alguém não tão interessante assim apareceu. Eu sabia de algumas histórias sobre esta pessoa, e decidi que não a desejava integrada ao Indy Hall. Conversei sobre isso com Geoff, que foi capaz de olhar para a situação sem os meus preconceitos.

Disse ele: “se nós não deixamos uma pessoa entrar para a comunidade porque não gostamos dela, que tipo de precedente iremos criar para todos os outros coworkers? Queremos que a Indy Hall seja um lugar onde qualquer um – até mesmo as pessoas que não conhecemos ainda – possam se sentir bem-vindas no ambiente, sendo uma parte do todo e contribuindo para algo maior, o sucesso de todos aqui”.

Meu compromisso com o valor fundamental da acessibilidade no coworking estava sendo desafiado.

Eu tinha que confiar que esta pessoa tomaria a decisão certa em benefício da comunidade: ou eles mudariam o comportamento pelo que eu sabia ter ocorrido no passado (um resultado positivo), ou deixariam as coisas acontecerem quando percebessem que não obteriam o que desejavam da pessoa (também um resultado positivo). Isto é, se não houvesse uma verdadeira sintonia com a nossa comunidade, como eu esperava, a última hipótese seria a mais provável. Em alguns meses, essa pessoa simplesmente parou de
aparecer no escritório. Esse tipo de interação tem acontecido mais de uma vez. Em apenas duas ocasiões em quatro anos tivemos que pedir para alguém sair.

Precisamos de ambos

O valor fundamental da acessibilidade depende dessas duas dinâmicas sociais se encontrarem em equilíbrio. Quando a filosofia de um espaço de coworking permanece comprometida com este valor fundamental, os resultados e benefícios fazem do coworking mais que uma forma elegante de compartilhar um “novo espaço de trabalho” que começa a tomar forma na vida de uma pessoa.

Quando tudo parece estar prestes a desmoronar, é quando você se sentirá feliz por fazer parte de um ambiente único, onde pode confiar na comunidade para surpreendê-lo de uma forma positiva. E, claro, também contribuir para enriquecer as experiências nesse ambiente.

Fonte: Coworking Wiki


* Escritor e co-fundador do Indy Hall, uma das mais respeitadas comunidades de coworking dos Estados Unidos.

Comentários

  1. [...] segundo post da série exploramos os valores da Acessibilidade no contexto do coworking. Já o valor fundamental da Transparência pode parecer redundante depois [...]