Valores essenciais do coworking: Comunidade

Valores essenciais do coworking: Comunidade

Por Alex Hillman*

Este post é a parte 4 de uma série de 5 posts onde iremos explorar os valores fundamentais do coworking: Colaboração, Transparência, Comunidade, Acessibilidade e Sustentabilidade. Esses 5 valores encontram-se reunidos no Coworking Wiki, um dos repositórios da comunidade coworking mundial disponíveis no portal coworking.com, que tem por finalidade divulgar a cultura do coworking nos cinco cantos do planeta. Estes valores foram preconizados em meados de 2005 pelos criadores do CitizenSpace, primeiro coworking space fundado em São Francisco, Estados Unidos, e desde então servem de inspiração para dezenas de espaços de coworking em todo o mundo.

No terceiro post da série exploramos os valores da Transparência (ou abertura) no contexto do coworking. No que diz respeito à Comunidade, esta vem a ser um valor intrínseco do coworking. Contudo, é fácil cometer erros em torno da ideia de comunidade. Especialistas na área de sociologia não conseguem sequer chegar a um acordo sobre uma definição do termo, enquanto que a Wikipédia menciona que, até a década de 1950, haviam cerca de 100 “definições discretas” disponíveis.

São as pessoas.

No contexto do coworking, porém, acredito que o focar na comunidade significa colocar ênfase nas pessoas, suas interações e, acima de tudo, nas relações que se formam. No Indy Hall, cada decisão que tomamos leva em conta nossos coworkers e suas oportunidades de interagir uns com os outros.

Nós > Eu

Nós organizamos eventos que incentivam as pessoas a explorar o que lhes interessa umas nas outras, dentro e fora do trabalho. Almoços e happy hours fornecem um espectro de oportunidades formais e informais para nos afastarmos da mesa e conhecermos melhor um colega de trabalho.

Nós compartilhamos rituais e experiências que permitem a novos coworkers se unirem à tribo e desenvolver a camaradagem. Divulgamos nossos lugares favoritos para sair fora do nosso espaço de coworking para que as pessoas possam facilmente se encontrar por conta própria. Nós atendemos e apoiamos outros eventos e iniciativas em conjunto, tanto reforçando o sentido de “união”, como também mostrando aos ainda não familiarizados que a “união” é também acessível a eles. Nós aprendemos, compartilhamos, crescemos, brincamos, experimentamos, comemoramos juntos. Nós nos lamentamos e nos consolar uns aos outros também.

O coworking space é uma ferramenta

Um coworking space é apenas isso – um espaço. Não é uma comunidade até que hajam pessoas para ocupá-lo. Eu e Geoff (meu sócio no Indy Hall) descrevemos o coworking como um “clube”, e acredito que esta seja uma descrição mais precisa do que um “escritório” para a maioria dos melhores espaços de coworking no mundo. Mas é importante lembrar que, para que um clube seja útil – uma comunidade – precisa, antes de tudo, de um lar.

É por isso que salientamos a “comunidade primeiro” não só como um modelo mental (como em “considerar a comunidade em primeiro lugar”), mas como uma ordem de operações. Poderia uma comunidade existir porque existe um espaço de coworking associado à ela? Com certeza. Mas isso leva tempo e, claro, também todo um caminho financeiro para um período de tempo indeterminado.

Não somos donos de uma comunidade, pertencemos a ela.

É justamente o sentido – muito natural, por sinal – de pertencimento o que faz com que as pessoas procurem por espaços de coworking, muito mais do que qualquer outra coisa. Mas penso assim enquanto dono de um espaço de coworking; é importante lembrar que cada coworker não é dono da comunidade de coworking, mas parte dela.

A melhor relação que um proprietário de um espaço de coworking pode ter é a sensação de pertencer à comunidade que habita o espaço. Esta conexão é autêntica, como também gera relações mais autênticas para o coworking space. Você não precisa necessariamente ser um líder na comunidade, mas deve estar preparado para ser um membro ativo dela.

Certa vez comentei com um amigo como me sentia grato de poder frequentar o Indy Hall como um coworker como os demais membros da comunidade, muito mais do que se visitasse o escritório como um proprietário. A verdade muitas vezes esquecida é que os proprietários de espaços de coworking podem obter os mesmos benefícios do coworking que seus demais membros, principalmente devido ao fato de que eles próprios são (ou deveriam ser) também membros dessa comunidade.

Comunidades de Confiança

Pessoas próximas umas das outras conferem um bom primeiro passo para formação de uma comunidade; mas, como já colocado acima, a comunidade não acontece sozinha, ou não até que as pessoas estejam interagindo umas com as outras. Ao contrário, o relacionamento é o evento primário capaz de operar a transição de um grupo de pessoas para o que possamos chamar de “comunidade”.

Por outro lado, se as relações entre os membros de uma espaço de coworking são como tendões, a confiança é o músculo que faz uma comunidade de coworking forte e saudável.

Começamos por confiar em nossos coworkers, sabendo que isso define uma fase em que a confiança é uma parte valiosa para se fazer parte de uma comunidade. Quando iniciamos o relacionamento com membros de um espaço de coworking sem que a confiança esteja presente, não podemos esperar que a recíproca seja verdadeira.

 

Não existem duas comunidades idênticas

O slogan original da Indy Hall era “isto é como se faz coworking na Filadélfia”, e permanecemos fiéis e honestos a esta afirmação. Nós criamos simplesmente um clone do CitizenSpace na Filadélfia, mas olhamos ao nosso redor e levamos um tempo para entender as comunidades que já existiam, como eram essas pessoas, e como um espaço com sabor de coworking poderia funcionar na Filadélfia.

Jamais encorajaria alguém a replicar o Indy Hall em um outro local, nem eu acho que seja realmente “replicável”. Ao invés disso, encorajo as pessoas a aprender com as lições que aprendemos, a compartilhar algumas de nossas ideias, mas sobretudo a interpretá-las para atender a uma comunidade com características específicas e peculiares.

Pessoalmente acredito que a coisa mais legal é que as comunidades, como as pessoas que as compõem, têm personalidade. Descaracterizar essa personalidade é um desperdício – em vez disso, abrace-a. Faça parte dela. Viva-a. Você vai adorar.

Fonte: Coworking Wiki

* Escritor e co-fundador do Indy Hall, uma das mais respeitadas comunidades de coworking dos Estados Unidos.

Comentários

  1. [...] quarto post da série exploramos os valores da Comunidade no contexto do coworking. Sobre a Colaboração, assim como a comunidade, podemos avaliar como [...]