Valores essenciais do coworking: Sustentabilidade

Valores essenciais do coworking: Sustentabilidade

Por Alex Hillman*

Este post é a parte 1 de uma série de 5 posts onde iremos explorar os cinco valores fundamentais do coworking: Colaboração, Transparência, Comunidade, Acessibilidade e Sustentabilidade.
Esses 5 valores encontram-se reunidos no Coworking Wiki, um dos repositórios da comunidade coworking mundial disponíveis no portal coworking.com, que tem por finalidade divulgar a cultura do coworking nos cinco cantos do planeta. Estes valores foram preconizados em meados de 2005 pelos criadores do CitizenSpace, primeiro coworking space fundado em São Francisco, Estados Unidos, e desde então servem de inspiração para dezenas de espaços de coworking em todo o mundo.

Este primeiro post concentra-se nos valores da Sustentabilidade no contexto do coworking. Como sabemos, sustentabilidade é uma palavra que dá margem para muitas conotações. A mais óbvia remete aos efeitos “verdes” do coworking. O compartilhamento de recursos é inerentemente verde, bem como a redução de trocas [prejudiciais ao meio ambiente]. Embora esses elementos sejam relativamente superficiais, não podemos minimizar sua importância. Mas a realidade é que, em uma sociedade moderna, “ser
um eco-cidadão responsável” estaria no topo da lista de valores fundamentais? Eficiência é um benefício, mas não um valor essencial.

Esforçar-se para obter eficiência é uma boa meta, mas também não é um valor essencial.

Isto quer dizer que, se você não está considerando o ambiente em que vive, os outros efeitos e valores realmente não importam muito. Mas, se sustentabilidade não significa “ser verde”, o que significa então? Sustentabilidade, no nosso caso, diz respeito a termos certeza se o que você estamos fazendo pode ser feito durante o tempo em que precisa ser feito. Em termos menos vagos: estamos construindo uma comunidade, um espaço de coworking, uma infraestrutura e modelos de negócios de uma forma que eles não são dependentes de recursos externos para persistir, crescer e florescer.

Um fazendeiro me disse…

Tive o prazer de ver a palestra de Joel Salatin no TEDxMidAtlantic em 2009 (vídeo), e me lembro de ter ficado impressionado com o que este fazendeiro tinha a dizer. Recomendo muito sua fala de 15 minutos no encontro. Em resumo: “uma comunidade que pode alimentar a si própria é livre. Uma comunidade que não pode fazê-lo não é. Simples assim”.

Nos primeiros dias de Indy Hall, Geoff e eu conversávamos sobre como empregar nossos esforços para a fim de criar um espaço de coworking ideal. Uma das importantes descobertas que dizemos foi ter a certeza de que seríamos capazes de sustentar a nós mesmos – nossos clientes cobririam nossos custos, bem como forneceriam espaço para o crescimento – ou então que não valeria a pena despender esforços para construir uma infraestrutura e ajudar essa comunidade a crescer.

Olhamos para modelos com e sem fins lucrativos e determinamos que, para que pudéssemos persistir e nos tornar sustentáveis, ser uma empresa com fins lucrativos seria uma forma de negócio mais eficiente. Mas com a condição de continuarmos sendo benevolentes e orientados sob a premissa de uma comunidade. Mais importante ainda, iríamos crescer de uma forma que não seríamos dependentes de ninguém, exceto das pessoas que se beneficiariam dos recursos que teríamos disponíveis em nosso espaço.

Este é um equilíbrio perfeito para nós, e continua sendo a forma como temos crescido ao longo de quase quatro anos. Enquanto nossos clientes precisam de nós, nos mantemos sustentáveis e independentes. Quando eles já não precisarem de nós da forma como existimos hoje, ou nos transformaremos no que eles precisam, ou o negócio acaba.

O comentário de Joel Salatin acima é sobre comida. Mas se lermos nas entrelinhas, o que ele está se referindo de fato é sobre sustento. Uma comunidade que não é capaz de sustentar-se vive na dependência de quem a sustenta e, portanto, também não é sustentável. O fim da vida depende mais da fonte do que das necessidades da comunidade.

Por outro lado, uma comunidade que é capaz de sustentar-se por si só não se exime da possibilidade de buscar fontes externas de alimento – mas continua sendo livre, sustentável e independente.

As pessoas e empresas que apoiamos viverão conforme nossas reflexões. Acredito firmemente que quanto mais tempo um espaço de coworking é capaz de fazer o que faz de melhor, mais saudável as pessoas e as empresas que ali trabalham também serão. É uma relação “simbiótica” de crescimento nos negócios.

> A identidade do entendimento de quem você é (e não apenas quem você não é);
> A rede de suporte ao crescimento;
> A troca aberta e honesta de informações e ideias;
> A humildade ensinada para que não haja uma criança destacada como sendo a mais esperta da sala;
> A reintrodução do relacionamento natural na formação do fluxo de trabalho nos negócios;

Todas essas coisas são necessárias para “curar o mundo”, tal qual os elementos de “ser e pensar verde”, valores essenciais da Sustentabilidade.

Fonte: Coworking Wiki

* Escritor e co-fundador da Indy Hall, uma das mais respeitadas comunidades de coworking dos Estados Unidos.

Comentários

  1. [...] primeiro post da série exploramos os valores da Sustentabilidade no contexto do coworking.  Além da questão sustentável em um ambiente de coworking, que diz [...]