O desemprego é uma ilusão do passado na economia da conexão

O desemprego é uma ilusão do passado na economia da conexão

Algumas gerações atrás não vivenciaram o desemprego, em grande parte porque não existiam empregos reais para se reivindicar. Antes da revolução industrial, a ideia de que uma pessoa sairia de casa para ir a um escritório ou uma fábrica era, claro, estranha. E o que acontece agora que a era industrial está chegando ao fim? Enquanto os dias finais da era industrial vão passando, vemos os ativos fundamentais da economia sendo substituídos por algo novo. Na verdade, é algo velho até, artesanal, mas, desta vez, acontece em enorme escala.

A era industrial girou em torno da escassez de recursos. Tudo o que construía nossa cultura, melhorava nossa produtividade e definia nossas vidas envolvia a busca por itens escassos.

A Conexão:

Por outro lado, a economia da conexão – nossa economia atual – a economia de um futuro previsível, abraça a abundância. Não, não possuímos uma fonte infinita de recursos que usamos para o comércio e cobiça. Não, nós certamente também não possuímos um excedente de tempo. Mas possuímos uma abundância de escolha, de conexão e, sobretudo, de acesso ao conhecimento.

Sabemos que mais pessoas têm acesso a mais recursos, e podem alavancar nossas habilidades mais rapidamente e a um nível mais alto do que nunca.

Esta abundância leva a duas corridas. A corrida para baixo é o desafio movido pela Internet em busca de preços mais baixos, trabalhos mais humildes, e entregar mais por menos; a outra corrida é a corrida para o topo: a oportunidade de ser o único em uma determinada categoria. A corrida para o topo se concentra em oferecer mais por mais. Ela abrange as paixões estranhas daqueles com os recursos para fazer escolhas, e que recompensa originalidade, a excepcionalidade e a arte.

A economia da conexão continua a ganhar força pois as conexões são escaláveis, a informação gera mais informação, e a influência reverte para aqueles que criam esta abundância. Na medida em que as conexões escalam, paradoxalmente acabam tornando mais fácil nos conectarmos também, porque qualquer pessoa com talento ou paixão pode alavancar as redes criadas por conexões para aumentar seu impacto. A economia de conexão não cria empregos onde simplesmente trabalhamos e depois recebemos o pagamento; a economia de conexão constrói oportunidades para nos conectarmos, e depois exige que trabalhemos por nós mesmos.

Assim como a rede de telefone se torna mais valiosa quanto mais telefones estão conectados (a escassez é a inimiga da geração de valor em uma rede), a economia de conexão torna-se mais valiosa à medida que a escalamos. Amigos nos trazem mais amigos. Uma reputação leva-nos à chance de construir uma reputação melhor. O acesso à informação nos incentiva a buscar cada vez mais informação. As conexões em nossa vida se multiplicam e aumentam em valor. Nosso material, por outro lado, torna-se menos importante ao longo do tempo.

As organizações bem sucedidas se deram conta de que não estão mais no negócio de cunhar slogans, criar anúncios atrativos e otimizar cadeias de suprimentos para reduzir custos. E freelancers e profissionais autônomos descobriram que fazer um bom trabalho por um preço justo não é mais suficiente para garantir o sucesso. Bom trabalho é mais fácil de encontrar do que nunca.

O que importa agora:

– Confiança
– Permissão
– Notoriedade
– Liderança
– Histórias que se espalham
– Humanidade, composta pela triade: conexão, compaixão e humildade

Todos os 6 são o resultado de um trabalho bem sucedido por pessoas que se recusaram a seguir as regras da era industrial. Esses ativos não são gerados por estratégias externas, MBAs ou pessoas com boas posições na sociedade. Estes são resultados de muita luta interna, e de decisões corajosas sem um mapa mas com a disposição para permitir que outras pessoas vivam com dignidade.

Eles são sobre mostrar-se para o mundo, não voltar-se para dentro; sobre se reinventar, e não duplicar.

Confiança e permissão

Em um mercado que está aberto para qualquer pessoa, as únicas pessoas que ouvimos são as pessoas que escolhemos ouvir. A mídia é barata, com certeza, mas a atenção é filtrada, e é praticamente impossível de sermos ouvidos a menos que o consumidor nos oferece a oportunidade de sermos ouvidos. Quanto mais valiosa for a atenção de alguém, mais difícil será de ganhá-la.

E quem é ouvido?

Por que alguém iria ouvir um gozador, um rábula ou um vendedor ambulante? Não, nós escolhemos ouvir aqueles em quem confiamos. Nós fazemos negócios e nos doamos para aqueles que ganharam nossa atenção. Nós procuramos pessoas que nos contam histórias que ressoam, ouvimos essas histórias, e nos envolvemos com pessoas ou empresas que nos deleitam, tranquilizam ou surpreendem de forma positiva.

E todos esses comportamentos são atos de pessoas, não de máquinas. Nós abraçamos a humanidade naqueles que nos rodeiam, sobretudo porque o resto do mundo parece tornar-se menos humano e mais frio. “Quem você vai perder?” Isso é quem estamos ouvindo.

Notoriedade

O mesmo preceito de humanidade e conexão existe na forma como escolhemos quais ideias iremos compartilhar com nossos amigos e colegas. Ninguém fala sobre o chato, o previsível, ou aquilo que é seguro. Nós não arriscamos interações, a fim de espalhar a palavra sobre algo óbvio ou banal.

O notável é quase sempre novo e inexperiente, fresco e arriscado.

Liderança

Gerenciamento é algo quase diametralmente oposto da liderança. A gestão é sobre a geração de resultados de ontem, mas um pouco mais rápido ou um pouco mais barato. Sabemos como lidar com o mundo – procuramos incessantemente reduzir custos e limitar a variação, enquanto exaltamos a obediência.

A liderança, contudo, é um jogo totalmente diferente. A liderança coloca o líder no front de guerra. Não há manual, não há livro de regras, não há nenhum “superchefe” para apontar o dedo quando as coisas dão errado. Se você perguntar a alguém pelo livro de regras sobre uma forma de liderar, secretamente você deseja ser um gerente.

Os líderes são vulneráveis​​, não controladores, e eles correm para o topo, levando-nos a um novo lugar, não para o lugar barato, rápido e seguro.

Histórias que se espalham

O próximo ativo que faz a nova economia funcionar é a história que se espalha. Antes da revolução, em um mundo de escolhas limitadas, o espaço em prateleira importava muito. Podíamos comprar um lugar na prateleira da loja, ou poderíamos ser os únicos na cesta de compras, ou podíamos usar uma conexão para obter o currículo na frente da pessoa que fosse nos contratar. Em um mundo de escolha abundante, porém, nenhuma dessas táticas é eficaz. Quem escolhe possui muitas alternativas, há confusão demais, e os recursos escassos são atenção e confiança, não o espaço na prateleira. Esta situação é difícil para muitos, porque a atenção e confiança devem ser conquistadas, não adquiridas.

Mais difícil ainda é a magia da história que ressoa. Depois que a confiança é conquistada e seu trabalho é visto, apenas uma fração será mágica o suficiente para valer a pena espalhar a mensagem. Mais uma vez, essa magia é o trabalho do artista humano, e não da máquina corporativa. Não estamos mais interessados ​​em coisas medianas para pessoas comuns.

Humanidade

Nós não adoramos a maneira industrial com a qual estamos habituados a viver. Ao invés disso, procuramos originalidade humana e cuidados. Quando preço e disponibilidade não são mais vantagens suficientes (porque tudo está disponível e o preço não é mais novidade), então somos atraídos pela vulnerabilidade e transparência que nos unem e transformam o “outro” em um de nós.

Por um longo tempo as massas ainda irão clamar pelo que é barato, óbvio e de confiança. Mas as pessoas que procuramos para liderar, as pessoas que estão ajudando a definir a próximas etapas e fronteiras, essas pessoas desejam a sua humanidade, e não seus descontos.

Todos esses ativos, reunidos em um só, fornecem a base para fabricar a mudança do futuro. E aquele indivíduo (ou a equipe que ele lidera) não tem outra escolha senão construir esses ativos com entusiasmo e uma nova abordagem para um velho problema, com um toque humano que vale a pena explorar.

Mal posso esperar até que possamos voltar ao 0% de desemprego, ao momento em que as pessoas com algo a contribuir (ou seja, todos nós) nos escolhemos uns aos outros em vez de aguardarmos a permissão de um burocrata para fazer um trabalho importante.

Fonte: Seth’s Blog

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