Lean Planning: Um Pequeno Guia Prático

Lean Planning: Um Pequeno Guia Prático

O modelo Lean Startup ganhou força porque muitas pessoas querem imitar as startups do Vale do Silício, e acham que o que funciona para essas novas startups devem funcionar para elas também. Mas a realidade é que o modelo Lean Startup não prega nenhum planejamento. Ao invés disso, trata-se da iteração rápida dos estágios iniciais da empresa, com o objetivo de assegurar que haja um ajuste perfeito entre produto/mercado, e que esta seja uma grande solução para um problema real.

Mas uma vez descobertas essas questões através do modelo Lean Startup, ainda se faz necessário criar uma previsão real e um orçamento, desenvolver um fluxo de caixa bem projetado, e definir as metas a serem alcançadas a fim de implementar uma estratégia de negócios eficiente. E quando passamos pelo processo de fazer todas essas coisas, adivinha o que acontece? Você, na verdade, acabou de criar um plano de negócios (ainda que “lean”). O que você não criou – e essa é a parte mais importante – é um documento linear. Ninguém precisa de um plano de 50 páginas, e o fato é que um plano de 50 páginas é realmente difícil de seguir, implementar e revisar. No que você precisa se concentrar, seja uma startup pronta para seguir o modelo Lean Startup ou uma empresa de pequeno porte que apenas deseja crescer e funcionar de forma mais eficaz, é no Lean Planning.

O que é o Lean Planning?

O método Lean Startup, popularizado por startups do Vale do Silício, foi criado como uma resposta às metodologias de plano de negócios historicamente morosas e complexas. Com foco na iteração e criação de produtos “minimamente viáveis” para serem testados com clientes reais, para então lançarem novas tecnologias rapidamente, as startups de tecnologia poderiam aprender com agilidade se seus produtos eram de aderentes ao público alvo e ainda relançar outros com base nas respostas do mercado.

Mas para empreendedores de fora do Vale do Silício, a metodologia lean startup nem sempre é muito eficaz. E porquê isso? Porque nem todas as empresas podem rapidamente iterar e criar um aplicativo ou serviço online para testar com os clientes. Senão, vejamos: como criar um MVP para o lançamento de um restaurante? Ou como fazer crescer um pequeno negócio familiar? Estes tipos de empresas simplesmente não têm a estrutura ou o tipo de produto que se presta a um MVP ou à aplicação da metodologia Lean Startup. Porém, esses pequenos negócios também precisam estabelecer metas e criar um plano simples e completo para mantê-los no caminho certo, e que os faça entender as implicações financeiras do crescimento em suas área de atuação.

O Lean Planning preserva os elementos de planejamento essenciais encontrados em planos de negócios tradicionais, proporcionando a agilidade e a flexibilidade condizentes com a abordagem Lean Startup. Os principais componentes de um Lean Plan incluem:

Sumário Executivo ou Pitch: uma visão geral da história da empresa com gráficos e imagens

Planejamento Financeiro: orçamento de despesas, previsão de vendas, previsão de fluxo de caixa, planilha de balanço e outros documentos críticos de planejamento financeiro

Plano de Ação: cronograma de metas e prestação de contas para a conclusão de tarefas ou atividades importantes

Acompanhamento de Performance: comparação de resultados financeiros atuais e métricas previstas

O Lean planning aborda as dimensões financeiras e de negócios fundamentais que cada startup deve considerar. No entanto, estes componentes são apenas uma parte da abordagem lean – a outra envolve o próprio processo.

Como funciona o processo de Lean Planning

Ao contrário dos planos tradicionais de negócios, os lean plannings são fluídos e desenhados para serem constantemente adaptados às exigências do mercado. O processo gira em torno de indicadores financeiros e geralmente seguem uma abordagem de três fases:

1. Previsão: A previsão estabelece as métricas principais que impulsionam o processo de lean planning. Durante esta fase inicial, é preciso considerar com cuidado o custo dos produtos vendidos, a margem bruta, os custos de marketing e outras variáveis que impactam o sucesso da empresa. Depois de identificar com precisão essas variáveis, você pode começar a estabelecer metas de previsão para as principais métricas de negócios e finanças. A previsão também ajuda a entender a parte mais crítica da saúde financeira do negócio: o dinheiro. É necessário entender os indicadores por trás do dinheiro disponível na conta bancária da empresa, e certificar-se de que haja uma margem suficiente para o crescimento do negócio – seja através de investidores, linha de crédito ou um pequeno empréstimo. Agora, um dado assustador: 60% de todas as pequenas empresas que foram à bancarrota nos EUA eram rentáveis, mas ficaram sem dinheiro.

2. Revisões mensais: reuniões mensais de avaliação permitem medir e analisar as discrepâncias entre os resultados planejados e os resultados atuais/reais de negócios. O aspecto mais importante desta etapa do processo é determinar por que os planos e previsões inexistiam. Em alguns casos, as previsões podem ter sido baseadas em premissas erradas, enquanto em outros podemos descobrir que fatores externos influenciaram os resultados do negócio. Ao longo de um período de vários meses, novidades e tendências surgirão para guiar seus próximos passos.

3. Ajustes trimestrais: roube uma página do playbook do Vale do Silício a cada três ou quatro meses que fizer pequenos ajustes para resolver as discrepâncias entre o seu plano e os resultados de negócios atuais. Aproveitando os conhecimentos extraídos de revisões mensais, é possível implementar mudanças rápidas para produtos, serviços ou modelos de negócios.

O lean planning oferece um plano estruturado que garante um fluxo de caixa sólido e um bom controle financeiro, enquanto proporciona a informação necessária para adaptar rapidamente o negócio aos resultados reais – dando à startup a flexibilidade e agilidade que necessárias para crescer no mercado altamente competitivo de hoje.

Fonte: INC.com

Deixe uma resposta