Saber contar boas histórias é ingrediente fundamental para o sucesso

Saber contar boas histórias é ingrediente fundamental para o sucesso

Saber contar boas histórias:

Shane Snow*

Há cerca de um ano, uma mulher alva, de sobrancelhas bem destacadas e com um keytar amarrado às costas – instrumento musical que apresenta características de guitarra, teclado e sintetizador – protagonizou um vídeo onde trajava um kimono e carregava cartazes cuidadosamente escritos à mão em uma rua de Melbourne, na Austrália. Um a um, os cartazes iam sendo trocados, e esclareciam que a mulher havia passado os últimos quatro anos escrevendo canções. Ela era musicista e pintora, e havia cortado relações com sua gravadora que, por sua vez, fixou em vultosos 500 mil dólares o custo de seu próximo álbum. Ela e seus companheiros de banda estavam muito felizes de não estarem mais na gravadora, e haviam trabalhado duro para criar uma nova boa música e arte. Mas sozinhos eles não conseguiriam finalizar o álbum que produziriam com a gravadora. Ela então precisava da ajuda das pessoas para tornar realidade seu trabalho de música independente.

“Este é o futuro da música”, dizia um dos cartazes. Outro: “Eu te amo”.

E então ela postou o vídeo no Kickstarter. Em 30 dias, a iniciativa levantou 1,2 milhões de dólares. Cerca de 24.883 pessoas compraram o álbum, as obras de arte disponíveis no site, ou simplesmente doaram dinheiro para o projeto. O álbum e turnê saíram do papel com enorme sucesso, e a artista tornou a música um negócio real e rentável. A mulher de kimono, se o leitor ainda não conhecia essa história, era Amanda Palmer, e suas palestras no TED sobre tema tornaram-se extremamente populares. Palmer mudou o destino dos músicos independentes com essa campanha. E ela o fez não simplesmente pedindo dinheiro para as pessoas, mas por contar a sua história.

A cada minuto, uma nova “buzzword” (ou “palavra de ordem”) atravessa o mundo dos negócios, passeia pelos meios de comunicação, ganha livros a respeito do tema em questão e acaba em uma pilha de termos que se esgotam – mas que não esquecemos – como “sinergia”. Atualmente, uma das maiores buzzwords corporativas é o “storytelling” (ou, na tradução literal, “contar ou narrar histórias”). Profissionais de marketing são obcecados com o storytelling, e conferências com palestras sobre o assunto ultimamente têm menos assentos vazios do que um show de Justin Bieber.

O engraçado é que o storytelling tem sido a palavra de ordem desde que a publicidade começou se popularizar. É algo que sempre a sai da pilha de buzzwords, porque, no final das contas, é uma habilidade atemporal. As histórias têm sido um motor essencial de mudança ao longo da história da humanidade. Para o bem e para o mal.

E agora, mais do que nunca, empresas, trabalhadores e líderes têm a oportunidade de se destacar, espalhar suas mensagens e fazer acontecer através de histórias. Boas histórias nos surpreendem. Elas têm personagens convincentes. Fazem-nos pensar, sentir. Grudam em nossas mentes e nos ajudam a lembrar de ideias e conceitos de uma forma que números e textos em um slides com gráficos de barras jamais fariam.

A razão pela qual o Kickstarter funciona e atrai milhares de artistas que recebem o apoio de milhões de pessoas em sua plataforma, é porque permite às pessoas criar suas histórias aberta e publicamente para quem quiser ver e ouvir. O Kickstarter na verdade não apenas permite, mas exige que isso aconteça. Cada projeto deve possuir um vídeo onde seus criadores explicam por que estão fazendo aquilo, e por que precisam de ajuda. Infelizmente, na época do PowerPoint e atualizações de status, muitos de nós nos esquecemos como é contar uma boa história.

Assim como a difusão da informação e as ferramentas de compartilhamento transformam nossas vidas digitais, o storytelling tem se tornando essencial. Já não se trata mais de um luxo proporcionado a uma classe dominante ou a empresas que possuem meios de comunicação ou publicidade. E, na medida em que passamos um tempo considerável consumindo conteúdo, o storytelling é uma habilidade que cada empresa – ou indivíduo – precisa dominar.

As empresas precisam contar boas histórias

Uma pesquisa indica que 78% dos CMOs acreditam que o conteúdo é o futuro do marketing. E dois terços dos profissionais de marketing acreditam que conteúdo associado à marca é superior às relações públicas, mala direta e a publicidade impressa. Isso é muita coisa.

E acaba acontecendo porque a mídia social tem facilitado as conversas com empresas. As empresas, por sua vez, estão mais animadas em publicar seus conteúdos no Facebook, ao lado de fotos de nossos entes queridos e links para notícias. Como a maioria das empresas começam a pensar em si mesmas como editoras, a característica que definirá as mais bem sucedidas nessa missão será a capacidade de não apenas compartilhar um conteúdo qualquer, mas de criar histórias interessantes.

O fato é que ninguém se preocupa com os objetivos de marketing de uma empresa. Mas todo mundo gosta de uma boa história. As empresas que desenvolverem esta habilidade aumentarão suas vantagens em um mercado altamente competitivo.

Trabalhadores e líderes precisam contar boas histórias

Compartilhamos bilhões de links a cada mês para diferentes tipos de conteúdo. Na medida em que cresce o dilúvio de conteúdo em nossas vidas e os meios de acessá-lo (como o recente Google Glass), o que se destaca tem que ser cada vez mais atraente. Aqueles que podem criar, encontrar e compartilhar boas histórias terão a chance de construir uma rede de seguidores.

Isso vale tanto para indivíduos como para empresas. Pessoas com fortes marcas pessoais têm vantagem na obtenção de emprego promoção. E marcas pessoais são construídas, entre outras coisas, a partir da habilidade de se contar e compartilhar grandes histórias.

Além disso, a Internet significa que, queiramos ou não, estamos todos competindo por empregos em um mercado de trabalho global, e milhões de nós em breve seremos freelancers. Assalariados ou autônomos, a melhor maneira de chamar a atenção e de ser memorável para as pessoas que nos pagam (clientes, chefes, doadores) é contar histórias reais de maneiras interessantes.

Histórias tornam as apresentações melhores. Fixam ideias. Nos ajudam a sermos mais persuasivos. Líderes experientes contam histórias para nos inspirar e motivar. É por isso que muitos políticos contam histórias em seus discursos: eles sabem que “o que dizemos” muitas vezes é discutível em relação a “como dizemos”. (Novamente, para melhor ou pior).

E, assim como os cartazes de Amanda Palmer encantaram dezenas de milhares de estranhos, as histórias podem nos ajudar a construir negócios e carreiras independentes. Claro, precisamos de ciência e dados para tomar as decisões certas na vida e no trabalho, mas os melhores livros de negócios e palestrantes utilizam histórias para nos ajudar a memorizar os pontos mais importantes quando as estatísticas desaparecem da memória.

Há um provérbio que diz: “aqueles que contam histórias governam o mundo“. Na medida em que a tecnologia cada vez mais nos entretém, o ditado torna-se mais real. É nosso trabalho como empresas, indivíduos ou líderes garantir que os “bons mocinhos” sejam aqueles capazes de contar as melhores histórias.

Fonte: LinkedIn Articles


Shane Snow é Chief Creative Officer do Contently. Escreve sobre mídia e tecnologia para a Wired e Fast Company, entre outras.

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